20 de mai. de 2013 | By: Fabrício

Direto à fonte

Uso de documentos nas salas de aula ajuda os alunos a compreender melhor o passado e mostra ainda que ele pode ser interpretado de diversas maneiras.

Quando se aprende História por meio de textos que pouco esclarecem sobre a origem das informações e conclusões que contêm, corre-se um risco: acreditar que essa disciplina oferece conhecimentos completos e definitivos do passado, em que não haveria lugar para a dúvida e o desconhecimento. Nesses casos, dificulta-se, ou mesmo se impede, a compreensão da natureza do conhecimento histórico, ao não deixar claro que uma de suas principais características é a relatividade, que este conhecimento é uma construção intelectual (feita pelos historiadores, ainda que com método e critério) e provisória, pois se baseia em concepções e conceitos marcados pelas condições da época em que são formulados, logo discutíveis.

Uma das formas de contornar essa situação na sala de aula e desnaturalizar o conhecimento histórico – isto é, mostrar que ele também é um elemento da cultura e da história – é usar as chamadas fontes primárias da História, os documentos. Essa atitude, aliás, tem permitido cada vez mais considerar a sala de aula como lugar também de produção de conhecimento e de reflexão.

Se o que sabemos sobre a história é simplesmente descrito ou narrado aos alunos, a tendência é oferecer um saber hiperorganizado, sem divergências de interpretação, com se evitássemos. As histórias nacionais “canônicas” que aprendemos na escola, como, por exemplo, a história dos Estados europeus e a do Brasil, costumam ter esse efeito; já a análise de documentos em sala de aula leva os alunos a compreender que a realidade histórica jamais se apresenta pronta ou sequer organizada para o historiador. Como toda realidade que desejamos conhecer, ela é um emaranhado de fatos, relações, versões etc., cujo conhecimento requer muita pesquisa, investigação, análise metódica, e os resultados podem variar de historiador para historiador, dando margem a diferentes interpretações.

De saída, a análise de documentos em sala de aula oferece ao aluno a oportunidade de conhecer, pelo menos em parte, o trabalho do historiador, de saber como o conhecimento histórico, ao qual ele tem acesso, é produzido. Em condições de ensino mais favoráveis, abre-se para ele inclusive a possibilidade de compreender alguns elementos centrais dos métodos históricos. Não que a metodologia da História seja mais um conteúdo a ser ministrado, mas aprender a interpretar os documentos, a ter postura investigativa, a conhecer o valor das evidência (e também da dúvida) são procedimentos imprescindíveis também ao exercício da cidadania, pois dão condições aos jovens entender os “documentos” atuais, os “textos” econômicos, políticos, culturais etc. correntes no mundo em que vivem.

O uso didático de documentos no ensino de História provavelmente começou, na passagem do século XIX para o XX, nos livros destinados ao ensino da língua portuguesa e da leitura, que traziam textos considerados edificantes para o cidadão. Uma outra porta de entrada deve ter sido o trabalho isolado de alguns professores, selecionando e trabalhando documentos, uma vez que os compêndios tradicionais costumavam se limitar a narrativas lineares e esquemáticas dos fatos que eram então considerados mais importantes.

É tarefa do professor estimular os alunos a refletir sobre materiais que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia, como charges, gravuras e notícias de jornais, transformando-os em documentos históricos.

De lá para cá, muito se fez. Hoje, coletâneas de textos estão disponíveis no mercado editorial, e os próprios livros didáticos trazem transcrições de documentos. A ideia de que eles são indispensáveis ao ensino de História consolidou-se de tal forma que este é um dos critérios de avaliação de livros didáticos a serem comprados pelo Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação, para o Programa Nacional do Livro Didático. E a multiplicação de meios de informação, como os inúmeros sites disponíveis na Internet, torna cada vez mais fácil o acesso aos documentos históricos.

Nunca é demais lembrar, na companhia do historiador francês Jacques Le Goff, algumas das condições em que qualquer documento histórico está inserido. Em primeiro lugar, ele não é uma mera janela que se abre diretamente para o passado. Entre o usuário do documento e o passado interpõe-se uma série de “filtros”, o primeiro dos quais é a própria preservação do documento. Esta pode ser fruto do acaso, da intenção ou, mesmo contraditoriamente, da indiferença por parte de seus possuidores, que o esquecem, mas não chegam a destruí-lo. Um segundo “filtro” é a seleção feita pelos pesquisadores, que escolhem alguns documentos e desprezam outros, levando em conta a importância deles para a sua investigação particular. Por fim, o documento deve ser entendido não como “o passado preservado”, mas como resultado de uma primeira seleção operada por pessoas que viveram no tempo em que o documento foi produzido, um certo olhar sobre o real, não o real em si. Como afirmou Le Goff, carregando propositadamente na ênfase, “No limite, não existe um documento-verdade. Todo documento é mentira.”

A Carta de Pero Vaz de Caminha, por exemplo, esteve esquecida durante três séculos num arquivo português. Transformou-se em “certidão de nascimento do Brasil” só no século XIX, quando alguns historiadores desejaram traçar uma narrativa nacionalista do país que então começava a se formar e no qual cumpria afirmar a existência de certos valores, como pátria e devoção cívica.

Carta de Pero Vaz de Caminha

Usado com mais sofisticação, o documento pode gerar situações-problema, capazes de chamar a atenção e suscitar dúvidas, cuja solução, buscada a partir de hipóteses levantadas pelo professor, mobilizará a curiosidade e a participação do aluno. Extremamente rico, este tipo de atividade reproduz, em outra escala, alguns dos passos obrigatórios do historiador. O documento também serve também como elemento provocador, que repõe em questão representações e atitudes do senso comum e até mesmo conhecimentos históricos já cristalizados, estimulando o debate, a busca de informações, a elaboração de argumentos.

Afinal, é este o desafio: proporcionar condições para se ler os documentos do mundo, ousar ler o mundo como um grande documento sobre o qual cumpre atuar. 

REFERÊNCIAS:
LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas, SP: Unicamp, 2003.

PINSKY, Carla Bessanezi (org.). Novos temas nas aulas de História. São Paulo: Editora Contexto, 2009.


SAIBA MAIS:
15 de mai. de 2013 | By: Fabrício

Mito de Pandora

Começando uma série sobre mitologia grega, inaugurarei contando o mito de Pandora.

MITOLOGIA
Ao contrário dos nossos mitos contemporâneos, celebridades fugazes muitas vezes criadas pela imposição da mídia, os mitos gregos serviam para dar sentido ao mundo e à existência humana. Seus deuses ajudaram o homem a compreender uma natureza repleta de mistérios e, também, a escrever a história de uma civilização que permanece, até hoje, como um das mais magníficas de todos os tempos.

PANDORA
A criação do mundo é um problema que, muito naturalmente, desperta a curiosidade do homem, seu habitante. Os antigos pagãos, que não dispunham, sobre o assunto, das informações de que dispomos, procedentes das Escrituras, tinham sua própria versão sobre o acontecimento, que era a seguinte:

Antes de serem criados o mar, a terra e o céu, todas as coisas apresentavam um aspecto a que se dava o nome de Caos – uma informe e confusa massa, mero peso morto, no qual, contudo, jaziam latentes as sementes das coisas. A terra, o mar e o ar estavam todos misturados; assim, a terra não era sólida, o mar não era líquido, e o ar não era transparente. Deus e a Natureza intervieram finalmente puseram fim a essa discórdia, separando a terra do mar e o céu de ambos. Sendo a parte ígnea a mais leve, espalhou-se e formou o firmamento; o ar colocou-se em seguida, no que diz respeito ao peso e ao lugar.

Nesse ponto, um deus – não se sabe qual – tratou de empregar seus ofícios para arranjar e dispor as coisas da Terra. Determinou aos rios e lagos seus lugares, levantou montanhas, escavou vales, distribuiu os bosques, as fontes, os campos férteis e as áridas planícies, os peixes tomaram posse do mar, as aves, do ar, e os quadrúpedes, da terra.

Tomara-se necessário, porém, um animal mais nobre, e foi feito o Homem. Não se sabe se o Criador o fez de materiais divinos, ou se na Terra, há tão pouco tempo separada do céu, ainda havia algumas sementes celestiais ocultas. Prometeu tomou um pouco dessa terra e, misturando-a com água, fez o homem à semelhança dos deuses. Deu-lhe o porte ereto, de maneira que, enquanto os outros animais têm o rosto voltado para baixo, olhando a terra, o homem levanta a cabeça para o céu e olha as estrelas.

 Pandora. William Waterhouse, 1896.

Prometeu era um dos titãs, uma raça gigantesca, que habitou a Terra antes do homem. Ele e seu irmão Epitemeu foram incumbidos de fazer o homem e assegurar-lhe, e aos outros animais, todas as faculdades necessárias à sua preservação. Epitemeu encarregou-se da obra e Prometeu, de examiná-la, depois de pronta. Assim, Epimeteu tratou de atribuir a cada animal seus dons variados, de coragem, força, rapidez, sagacidade; asas a um, garras a outro, uma carapaça protegendo um terceiro etc. Quando, porém, chegou a vez do homem, que tinha de ser superior a todos os outros animais, Epimeteu gastara seus recursos com tanta prodigalidade que nada mais restava. Perplexo, recorreu a seu irmão Prometeu, que, com a ajuda de Atena, subiu ao céu e acendeu uma tocha no carro do sol, trazendo fogo para o homem. Com esse dom, o homem assegurou sua superioridade sobre todos os outros animais. O fogo lhe forneceu o meio de construir as armas com que subjugou os animais e as ferramentas com que cultivou a terra; aquecer sua morada, de maneira a tornar-se relativamente independente do clima, e, finalmente criar a arte da cunhagem das moedas, que ampliou e facilitou o comércio.

A mulher não fora ainda criada. A versão (bem absurda) é que Zeus a fez e enviou-a a Prometeu e a seu irmão, para puni-los pela ousadia de furtar o fogo do céu, e ao homem, por tê-lo aceito. A primeira mulher chamava-se Pandora. Foi feita no céu, e cada um dos deuses contribuiu com alguma coisa para aperfeiçoá-la. Afrodite deu-lhe a beleza, Hermes, a persuasão, Apolo, a música etc. Assim dotada, a mulher foi mandada à Terra e oferecida a Epimeteu, que de boa vontade a aceitou, embora advertido pelo irmão para ter cuidado com Zeus e seus presentes. Epimeteu tinha em sua casa uma caixa, na qual guardava certos artigos malignos, de que não se utilizara, ao preparar o homem para sua nova morada. Pandora foi tomada por intensa curiosidade de saber o que continha aquela caixa e, certo dia, destampou-a para olhar. Assim, escapou e se espalhou por toda a parte uma multidão de pragas que atingiram o desgraçado homem, tais como o reumatismo e a cólica, para o corpo, e a inveja, o despeito e a vingança, para o espírito. Pandora apressou-se em colocar a tampa na caixa, mas infelizmente, escapara-lhe todo o conteúdo com exceção de uma única coisa, que ficara no fundo, e que era a esperança. Assim, sejam quais forem os males que nos ameacem, a esperança não nos deixa inteiramente; e, enquanto a tivermos, nenhum mal nos torna inteiramente desgraçados.

 Pandora abre a caixa. Walter Crane, 1893.

Uma outra versão é a de que Pandora foi mandada por Zeus com boa intenção, a fim de agradar ao homem. O rei dos deuses entregou-lhe, como presente de casamento, uma caixa, em que cada deus colocara um bem. Pandora abriu a caixa, inadvertidamente, e todos os bens escaparam, exceto a esperança. Essa versão é, sem dúvida, mais aceitável do que a primeira.

REFERÊNCIAS:
GRIMAL, Pierre. Mitologia Grega. São Paulo: L&PM, 2009.

HAMILTON, E. A Mitologia. 3. ed. Trad. M. L. Pinheiro. Lisboa: Dom Quixote, 1983.
9 de mai. de 2013 | By: Fabrício

A História Inconveniente do Brasil (2000)

Documentário produzido pela BBC de Londres. 

O Brasil foi o último país a abolir a escravidão, em 1888. A História Inconveniente do Brasil conta a abolição oficial da escravatura e dos diversos reinos africanos que capturavam e vendiam escravos aos traficantes, bem como era a vida aviltante destas pessoas que eram consideradas não seres humanos, mas sim meras mercadorias e como o Brasil foi um dos grandes destinos dessa população, uma vez que o contingente de escravos que atravessavam o Atlântico e que tinha o Brasil como destino, chegou à 40% de todo o tráfico.

O documentário tem depoimentos de historiadores e antropólogos, brasileiros e internacionais, e de outras pessoas que contam os efeitos de séculos de escravidão no Brasil de hoje. É um importante documento sobre a história dos negros, história africana e estudos latino-americanos.

DIREÇÃO: Phil Grabsky



Interessante o documentário, vale a pena. Mas com olhos atentos. Realmente percebe-se vieses de quem olha de fora. Historiadores e sociólogos brasileiros há muito falam da escravidão no Brasil sem querer esconder verdades, como se dá a entender no documentário. Penso que é justamente o sistema econômico importado do primeiro mundo que discrimina e mantêm as desigualdades históricas ao mesmo tempo que mantêm um sistema de controle e exploração. Todavia, não apenas nos negros, mas de brancos e de todos os outros economicamente desfavorecidos.

A Inglaterra olhou para o Brasil no século XIX da mesma forma que olha para a África hoje. Como mercado potencial. Como se diz ao final do documentário "a exploração continua, mas sob uma forma muito mais sofisticada."
8 de mai. de 2013 | By: Fabrício

A Revolução Haitiana (1791)


Soldados franceses enforcados pelos negros revolucionários,
segundo gravura de Marcus Rainsford, de 1805. Os colonizadores foram
os primeiros a sentir os horrores cometidos na ilha de São Domingos.

Inspirada pela Revolução Francesa de 1789 que tinha como ideal o lema: igualdade, liberdade e fraternidade amplamente divulgado pelos teóricos do iluminismo, resultou em um movimento único, uma vez que os negros conseguiram tomar o poder na colônia francesa na América. Tal lema agitou consideravelmente o ambiente colonial no continente americano, uma que vez milhares de pessoas eram por sua condição étnica escravizada.

A capital da colônia francesa de São Domingos, Porto Príncipe, ficou coberta de fumaça durante 15 dias, entre agosto e setembro de 1791, enquanto as plantações da ilha ardiam em chamas. A insurreição de escravos se generalizou pelo norte e se espalhou por todo território, até então considerado a “pérola das Antilhas”, a mais importante possessão francesa, por causa da grande produção de açúcar. Em dois meses de sublevação, o saldo foi de mil brancos mortos, 15 mil escravos desaparecidos, duzentos engenhos de açúcar destruídos (num total de 793), 1,2 mil plantações de café aniquiladas (num total de 3 mil), canais de irrigação inutilizados e gado dizimado. Proprietários fugiram para Cuba e Estados Unidos.

“O Haiti é um farol no Caribe para o qual estão voltadas as atenções de oprimidos e opressores do mundo inteiro”, afirmou o abade Henri Grégoire (1750-1831), um dos poucos revolucionários franceses que apoiou abertamente a revolução haitiana. O símbolo marcante da Revolução do Haiti foi a figura de Toussaint Louverture (1743-1803), principal comandante das tropas de homens negros que derrotaram, sucessivamente, franceses, ingleses e espanhóis. Conhecido como “Bonaparte Negro”, Toussaint fora escravo, obteve alforria e chegou a ter 15 cativos trabalhando para ele numa plantação. Aderiu aos grupos rebeldes depois do começo da insurreição e logo galgou os principais postos políticos e militares. Após derrotar os brancos da ilha, Toussaint dizimou grande parte da população mestiça, matando, em 1800, 15 mil mulatos em combates. Acabou capturado por ordem de Napoleão e morreu, em condições desumanas, num cárcere no interior da França.

Toussaint Louverture, líder dos negros insurgentes de São Domingos, 
retratado em 1802, por Manuel Lopes. O "Bonaparte Negro" foi o símbolo 
marcante da Revolução do Haiti."

Entre os sucessores imediatos de Toussaint, além de Dessalines, outro ex-escravo se destacaria: Henri Cristophe (Henrique Cristóvão), que entre 1811 e 1820 governou a parte norte da ilha, com o título de rei Henrique I. Foi ele quem derrotou definitivamente os franceses, construiu palácios luxuosos e monumentos que ainda hoje são os principais existentes no país. Isolado, suicidou-se em seu palácio, após uma conspiração envolvendo lutas pela posse da terra e poder político.

O Haiti foi o segundo país das Américas a tornar-se independente, depois dos Estados Unidos, que rompeu em 1776 com a tutela britânica. Treze anos depois da Revolução do Haiti, em janeiro de 1804, um ex-escravo chamado Jean-Jacques Dessalines proclamou a independência do país e se coroou imperador, com o nome de Jacques I. Foi ele quem mandou exterminar os últimos 3 mil brancos que restavam na ilha. Na ocasião, Dessalines afirmou: "Para escrever a Ata da Independência precisamos da pele de um branco por pergaminho, seu crânio por escrivaninha, seu sangue como tinta e uma baioneta como pluma." A independência só seria consolidada em 1825, com o reconhecimento, pela França, do novo país. O mundo havia assistido a uma das experiências políticas mais complexas e trágicas da história.

A passagem de colônia escravista para país independente, no caso haitiano, mesmo com sua original radicalidade, foi marcada por mudanças, mas também por permanências. Apesar de ter destruído a escravidão e a dominação colonial europeia, a revolução não construiu uma sociedade justa. Manteve-se parte considerável da grande propriedade monocultora e exportadora. O trabalho escravo foi substituído, em muitos casos, por trabalhos forçados muitas vezes em condições aviltantes e os antigos proprietários foram sucedidos por novos dirigentes oriundos da insurreição de escravos. Chefes militares concentraram enfim em suas mãos a propriedade da terra e o poder político, criando características ainda presentes na sociedade haitiana mergulhada em profunda miséria. Atualmente o Haiti é o país mais pobre das Américas.

REFERÊNCIA:
JAMES, C. R. Os Jacobinos Negros. Toussaint L'Ouverture e a Revolução de São Domingos. São Paulo: Boitempo Editorial, 2000. 
1 de mai. de 2013 | By: Fabrício

As referências históricas por trás das letras do Iron Maiden


Estava recentemente em meu trabalho, quando alguns de meus colegas começaram a execrar o Heavy Metal, mais especificamente o Iron Maiden, fazendo uma alusão de suas capas de CD’s – na qual sempre aparece o mascote da banda que é um morto-vivo, chamado Eddie – com coisas demoníacas.

NÃO JULGUE UM CD PELA CAPA! Foi isso que me levou a discordar e a destacar algumas das referências históricas por trás das letras do Iron Maiden. 

A banda britânica Iron Maiden, foi fundada pelo baixista Steve Harris em 1975. Foi a principal representante do movimento conhecido como NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal). O próprio nome da banda já remete a fatos históricos: Iron Maiden era um instrumento de tortura da Idade Média. Basicamente, o sujeito que tirava a “sorte grande” de utilizar o equipamento, entrava em uma espécie de sarcófago com espetos por dentro, e quando a porta era fechada, esses espetos lhe perfuravam o corpo, mas não atingiam pontos vitais, para o indivíduo sofrer por vários dias até morrer de fato. Isso era o Iron Maiden.


A inspiração pelos temas históricos nas letras se deve principalmente pelo fato de Steve Harris ser um estudioso sobre assuntos históricos e o vocalista Bruce Dickinson ter inclusive formação superior em História.

Veja a ligação de algumas músicas do Iron Maiden com temas históricos:

  • The Trooper - A música fala sobre um combatente da cavalaria inglesa que desafia um inimigo russo para a batalha. A letra é inspirada diretamente na Batalha de Balaclava.
  • Aces High - A música conta a história de um piloto da R.A.F. que trava um duelo entre caças contra um piloto nazista da Luftwaffe durante a Segunda Guerra Mundial.
  • Hallowed Be Thy Name - Retrata um condenado preso que está a caminho da morte numa forca. Fato comum na época medieval.
  • Powerslave - Fala sobre a escravidão no Egito Antigo.
  • Genghis Khan - Homenageia um Guerreiro Mongol.
  • Invadiers - Comenta as invasões dos guerreiros nórdicos às Ilhas Britânicas.
  • The Duellists - Relata um duelo entre cavaleiros na Idade Média.
  • Quest for fire - As letras do Maiden relatam até mesmo a Pré-História com essa música, que retrata a busca dos homens da caverna pelo precioso fogo.
  • Alexander The Great - Comenta a saga de Alexandre, o Grande, rei da Macedônia que conquistou o Mundo Antigo. 
  • Mother Russia - Fala sobre o Império Russo e seus Czares.
  • Flight Of Icarus - A letra fala sobre a lenda de Ícaro, personagem da mitologia grega.

Diante de tudo isso, é que o Iron Maiden é uma das minhas bandas favoritas. E ao contrário do que muitas pessoas dizem, não é música do demônio. É preciso acabar com esse tipo de estereótipo. Há muita cultura presente em suas letras. Afinal, ninguém precisa gostar do que ou de quem quer que seja - ou mesmo a aderir. Basta apenas respeitar.

Por isso antes de falar qualquer coisa, tenha certeza do que você vai falar é mais relevante que o silêncio.

Vídeo da música Alexander The Great :