Este foi um dos filmes que sem sombra de dúvida marcou a
minha infância. Sempre sonhava ser como o personagem interpretado por Sylvester
Stallone, soldado da Guerra do Vietnã, John Rambo. O enredo narra justamente a vida de Rambo (Sylvester Stallone), um veterano da Guerra do
Vietnã que é preso injustamente pelo xerife Teasle (Brian Dennehy), mas
consegue fugir e promove uma guerra não só contra o policial mas contra toda
uma cidade, causando pânico e destruição, que é o que ele sabe fazer de melhor.
Todos conhecemos hippies, movimentos
civis e a gigantesca mobilização contra o conflito no Vietnã nesse período. Mas
desconhecidas são as feridas não cicatrizadas de familiares e soldados que
retornam perplexos. Derrotados em um conflito mal explicado, são tratados como
criminosos por uma população que, até então, julgavam estar defendendo.
Humilhados, sem referência ou trabalho - e sofrendo de estresse pós traumático
- precisam recomeçar a vida sem qualquer perspectiva.
Esse é o pano
de fundo do filme. Rambo é uma espécie de herói trágico. Silencioso e
misterioso, é revisitado constantemente pelas lembranças das torturas de quando
foi capturado em combate. Mas ele não é qualquer soldado. É o último
sobrevivente de um esquadrão de elite que se acostumou com a solidariedade do
serviço militar. Treinado para operar tanques, helicópteros e todo um conjunto
de armas caras e sofisticadas, não encontra qualquer sentido ao descobrir que
lutara por algo que dificilmente conseguirá chamar de casa
novamente.
Para quem acha que o filme não passa de um tiroteio descerebrado, atenção à cena em que o coronel tenta dissuadir Rambo de destruir a urbes. Ao dizer, “acabou”, Rambo responde, em uma explosão verborrágica de todos os traumas e dores que acumulara nos últimos anos. “Acabou para vocês!”, para o coronel, para toda alta patente do exército, para os manifestantes contra o conflito que agora retornam à casa a procura de uma nova causa. Para um soldado não acaba nunca. O que se segue é a descrição de um sujeito absolutamente perturbado, confinado à lembranças traumáticas e entendimentos confusos sobre o novo mundo. A guerra, para ele não foi perdida, apenas não deixaram ele ganhar. E quando retorna, percebe que não tem nada além da memória dos companheiros morrendo em condições horrendas e a hostilidade de uma sociedade que o culpa pela desmoralização da América perante o mundo. Seu país não é o mesmo que havia deixado antes da guerra. Uma vez que aquela sociedade não o valoriza deixando-o a mercê, sem nenhum tipo de assistência e mais, deixando-o viver com seus demônio, referente as lembranças traumáticas que uma guerra pode proporcionar à um ser humano.
Engana-se quem pensa que filmes como os do personagem Rambo não ensinam, sendo eles carregados de significados de sua época, mensagens majoritariamente políticas. Embora a história do soldado distorça a natureza dos conflitos, ela revela de forma crua a ferida no orgulho estadunidense que o conflito vietnamita causou.
Serve para refletirmos ainda o quão perturbado um soldado e qualquer ser humano pode ficar mesmo tendo sobrevivido à guerra ou qualquer outro tipo de evento traumático em sua vida. Além de retratar o que acontece com muitos soldados estadunidenses - em detrimento do abandono da sociedade e do Estado para com eles - quando estes retornam de um combate.
Assista um trecho do filme que considero importante entre Rambo com seu coronel: