27 de mai. de 2014 | By: Fabrício

25 curiosidades sobre a escravidão que você não sabia

"Fuga de escravos", óleo sobre tela de François August Biard (1859).

- Os primeiros navios negreiros foram trazidos pelo português Martim Afonso de Sousa, em 1532. A contabilidade oficial estima que, entre essa data e 1850, algo como 5 milhões de escravos negros entraram no Brasil. Porém, alguns historiadores calculam que pode ter sido o dobro.
- Os navios negreiros que traziam os escravos da África até o Brasil eram chamados de tumbeiros, devido à morte de milhares de africanos durante a travessia. Estas mortes ocorriam devido aos maus-tratos sofridos pelos escravos, pelas más condições de higiene e por doenças causas pela falta de vitaminas, como no caso do escorbuto.
- É possível traçar a origem dos escravos em três grandes grupos: os da região do atual Sudão, em que os iorubás, também chamados nagôs, predominam; os3 que vieram das tribos do norte da Nigéria, a maioria muçulmanos, chamados de malês ou alufás; e o grupo dos bantos, capturados nas colônias portuguesas de Angola e Moçambique.
- Quando chegava ao Brasil, o africano era chamado de “peça” e vendido em leilões públicos, como uma boa mercadoria: lustravam seus dentes, raspavam os seus cabelos, aplicavam óleos para esconder doenças do corpo e fazer a pele brilhar, assim como eram engordados para garantir um bom preço.
- Um escravo valia mais quando era homem e adulto. Um escravo era considerado adulto quando tinha entre 12 e 30 anos. Eles trabalhavam em média das 6 horas da manhã às 10 da noite, quase sem descanso, e amadureciam muito rápido. Com 35 anos, já tinham cabelos brancos e bocas desdentadas.
- Os cativos recebiam, uma vez por dia, apenas um caldo ralo de feijão. Para enriquecer um pouco a mistura, eles aproveitavam as partes do porco que os senhores desprezavam: língua, rabo, pés e orelhas. Foi assim que, de acordo com a tradição, surgiu a feijoada.
- A Festa de Nossa Senhora do Rosário, a padroeira dos escravos do Brasil colonial, foi realizada pela primeira vez em Olinda (PE), no ano de 1645. A santa já era cultuada na África, levada pelos portugueses como forma de cristianizar os negros. Eles eram batizados quando saíam da África ou quando chegavam ao Brasil.
- Na cidade de Serro (MG), acontece a maior de todas as festas em homenagem a santa, em julho, desde 1720. De acordo com a lenda, um dia Nossa Senhora do Rosário saiu do mar. Ao ser chamada por índios, não se mexeu. O mesmo aconteceu com marinheiros brancos. A santa só atendeu aos escravos, que tocaram bem forte os seus tambores.
- Crianças brancas e negras andavam nuas e brincavam até os 5 ou 6 anos anos de idade. Tinham os mesmos jogos, baseados em personagens fantásticos do folclore africano. Mas aos 7 anos, a criança negra enfrentava sua condição e precisava começar a trabalhar.
- Cada senhor de engenho tinha autorização para importar 120 escravos por ano da África. E havia uma lei que estipulava em 50 o número máximo de chibatadas que um escravo podia levar por dia.
- A cozinha era muito valorizada na casa-grande. Conquistaram o gosto dos europeus e brasileiros os pratos de origem africana, como vatapá e caruru, comuns na mesa patriarcal nordestina. A cozinha ficava num anexo da casa, separada dos cômodos principais por depósitos ou áreas internas.
- Normalmente, divisões internas da senzala separavam homens e mulheres. Mas, algumas vezes, era permitido aos poucos casais aceitos pelo senhor morarem em barracos separados, de pau-a-pique, cobertos com folhas de bananeira.
- Aos domingos, os escravos tinham direito de cultivar mandioca e hortaliças para consumo próprio. Podiam, inclusive, vender o excedente na cidade. A medida combatia a fome do campo, pois a monocultura de exportação não dava espaço a produtos de subsistência.
- Quando a noite caia, o som dos batuques e dos passos de dança dominava a senzala. As festas e outras manifestações culturais eram admitidas, pois a maioria dos senhores acreditava que isso diminuia as chances de revolta.
- Com a expansão das cidades, multiplicam-se escravos urbanos em ofícios especializados, como pedreiros, vendedores de galinhas, barbeiros e rendeiras. Os carregadores zanzam de um lado a outro, levando baús, barris, móveis e, claro, brancos.
- Escravos de Ganho eram escravos que tinha permissão de vender ou prestar serviços na rua. Em troca, ele deveria dar uma porcentagem dos ganhos a seu dono.
- Em algumas regiões, os escravos africanos eram divididos em três categorias: o “boçal”, que recusava falar o português, resistindo à cultura europeia; o “ladino”, que falava o português; e o “crioulo”, o escravo que nascia no Brasil. Geralmente, ladinos e crioulos recebiam melhor tratamento, trabalhos mais brandos e perspectiva de ascenção social.
- Os negros nunca tiveram uma atitude passiva diante da escravidão. Muitos quebravam ferramentas de trabalho e colocavam fogo nas senzalas. Outros cometiam suicídio, muitas vezes comendo terra. Outros, ainda, entregavam-se ao banzo, grande tristeza que podia levar à morte por inanição. A forma comum de rebeldia, no entanto, era a fuga.
- Segundo alguns historiadores, a capoeira nasceu de um ritual angolano chamado n’golo (dança da zebra), uma competição que os rapazes das aldeias faziam para ver quem ficaria com a moça que atingisse a idade para casar. Com o tempo, a prática se transformou em exibição de habilidade e destreza.
- A palavra capoeira não é de origem africana. Ela vem do tupi (kapu’era). Trazida para o Brasil por intermédio dos navios negreiros, a capoeira foi desenvolvida nos quilombos pernambucanos do século XVI. As características de luta e dança adquiridas no país podem classificá-la como uma manifestação cultural genuinamente brasileira.
- O berimbau é um instrumento de percussão trazido da África (mbirimbau). Ele só entrou na história da capoeira no século XX. Antes, o instrumento era usado pelos vendedores ambulantes para atrair os clientes. O arco vem do caule de um arbusto chamado biriba, comum no Nordeste, que é fácil de envergar.

- Até a abolição da escravatura, a lei punia os praticantes de capoeira com penas de até 300 açoites e o calabouço. De 1889 a 1937, a capoeira era crime previsto pelo Código Penal. Uma simples demonstração dava seis meses de cadeia. Em 1937, o presidente Getúlio Vargas foi ver uma exibição, gostou e acabou com a proibição.

- Após a independência de Portugal, em 1822, uma das primeiras medidas do governo foi proibir que alunos negros frequentassem as mesmas escolas que os brancos. Um dos motivos apontados é que temiam eles pudessem transmitir doenças contagiosas.

- O movimento abolicionista tinha mais de 60 anos quando a Lei Áurea foi assinada, em 1888. Mobilizava muitos intelectuais da época, como escritores, políticos, juristas, e também a população de uma forma geral.

- Em 1823, D. Pedro I chegou a redigir um documento defendendo o fim da escravidão no Brasil, mas a libertação só ocorreu 65 anos depois.
18 de mai. de 2014 | By: Fabrício

Jongos, Calangos e Folias. Música Negra, Memória e Poesia

O filme Jongos, Calangos e Folias: Música Negra, memória e poesia é um documentário historiográfico constituído a partir do acervo UFF Petrobrás Cultural Memória e Música Negra. Destina-se também a finalidades didáticas, no âmbito das Diretrizas Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana, publicadas em 2004. A historia dos jongos, calangos e folias, como patrimônios culturais, é apresentada de forma associada à historia social dos grupos que lhe dão suporte. O filme coloca em destaque o papel da poesia negra em todas as três manifestações culturais e seu papel na legitimação política das comunidades remanescentes de quilombo do estado do Rio de Janeiro.

A primeira parte do filme refere-se ao litoral do estado, sul e norte, ponto de desembarque do últimos africanos chegados como escravos no Brasil, e apresenta as comunidades quilombolas do Bracuí, em Angra dos Reis, e Rasa, em Búzios. A segunda parte sobe a Serra do Mar, chega ao Vale do Paraíba, o velho vale do café no século XIX, para onde se dirigiu a maioria dos recém chegados. Alí são entrevistados representantes das comunidades de Barra do Piraí, Quilombo São José da Serra e Duas Barras. A terceira e última parte, desce a serra, e atinge a Baixada Fluminense, especialmente Nova Iguaçu, Mesquita, Duque de Caxias e São João do Meriti, para onde muitos dos descendentes dos últimos escravos se dirigiram, em diferentes momentos do século XX, na busca por melhores oportunidades de trabalho. Em todas as regiões apresentam-se as relações entre os jongos, calangos e folias de reis, como patrimônios familiares, com destaque para a poesia e os desafios presentes nestas manifestações.

O resultado é o DVD "Jongos, Calangos e Folias: música negra, memória e poesia". Dirigido por Martha Abreu e Hebe Mattos, o filme tem edição de Isabel Castro e fotografia de Guilherme Fernandez. A pesquisa para o filme, com mais de 180 horas de gravação, foi desenvolvida ao longo de 2006 e 2007, e contou com uma equipe grande formada por mestrandos, doutores e muitos alunos de iniciação científica, que entrevistaram diversos grupos do Estado do Rio de Janeiro, descendentes da última geração de africanos e escravos.

Memórias do Cativeiro

Com direção acadêmica de Hebe Mattos e Martha Abreu, professoras da Universidade Federal Fluminense (UFF), o documentário “Memórias do Cativeiro”, de 2005, foi produzido a partir do livro homônimo, cujas autoras são Hebe Mattos e Ana Lugão Rios. Simples e eficaz no que se propõe a fazer, o filme é formado por depoimentos de descendentes de escravos que fazem parte do acervo do Laboratório de História Oral e Imagem (LABHOI) da UFF. São relatos de pessoas que conviveram com parentes que sofreram os horrores de um tempo no qual a liberdade inexistia: o tempo da escravidão. Simples e eficaz no que se propõe a fazer, o filme é formado por depoimentos de descendentes de escravos que fazem parte do acervo do Laboratório de História Oral e Imagem (LABHOI) da UFF. São relatos de pessoas que conviveram com parentes que sofreram os horrores de um tempo no qual a liberdade inexistia: o tempo da escravidão. 

A obra começa com a fala de Manoel Seabra, 85 anos, morador de São José da Serra, Rio de Janeiro. Ele, assim como os outros depoentes, conta a história de seus antepassados africanos, escravizados em terras brasileiras. São narrativas contadas com um misto de indignação e orgulho, com destaque para as informações que estamos acostumados a encontrar somente nos livros: os castigos que os negros sofriam; a função dos mercadores de escravos; a influência dos aspectos físicos nos valor de cada um deles; a revolta que eles promoviam contra a opressão senhorial etc. As lembranças, registradas em entrevistas filmadas ou só em áudio, são combinadas com imagens pertinentes ao tema que cumprem a função de fornecer um reconhecimento maior da época e do contexto tratado. 

Além de discorrerem sobre os difíceis tempos de seus parentes escravos, os descendentes tratam também de um tempo vivido por eles mesmos. Ressaltam que as dificuldades não terminaram com a promulgação da Lei Áurea, em 1888, visto que os negros continuaram vivendo à margem, sendo desprezados pela sociedade, em especial pelos patrões. Segundo eles, a situação só começa a melhorar em 1930, data em que Getúlio Vargas se torna presidente do Brasil. E aqui um ponto digno de nota: Getúlio é venerado de uma forma impressionante pelos que proferem os depoimentos. Na visão deles, foi Vargas quem de fato libertou os que tinham pele negra. 

O documentário chega aos tempos atuais explicitando a importância da preservação das práticas culturais para a afirmação política dos descendentes de escravos. Destaque para o jongo, dança tradicional de origem africana. A mensagem é a de que a luta dos negros contra os sofrimentos passados, de uma forma ou de outra, ainda não terminou. 

“Memórias do Cativeiro”, obra emocionante e mais do que necessária, se configura como um exemplar “projeto de memória”, visto que nos aproxima, nos lembra, nos apresenta, graças a uma rica tradição oral, uma temática de importância imensurável para o Brasil.


10 de mai. de 2014 | By: Fabrício

Como foram erguidas as pirâmides do Egito?

A construção das pirâmides botou milhares de egípcios para suar, exigiu conhecimentos avançados de matemática e muitas pedras. Das cem pirâmides conhecidas no Egito, a maior (e mais famosa) é a de Quéops, única das sete maravilhas antigas que resiste ao tempo. Datada de 2 550 a.C., ela foi a cereja do bolo de uma geração de faraós com aspirações arquitetônicas. Khufu (ou Quéops, seu nome em grego), que encomendou a grande pirâmide, era filho de Snefru, que já tinha feito sua "piramidezinha". O conhecimento passou de geração em geração, e Quéfren, filho de Quéops, e Miquerinos, o neto, completaram o trio das pirâmides de Gizé. Para botar de pé os monumentos, que nada mais eram que tumbas luxuosas para os faraós, estima-se que 30 mil egípcios trabalharam durante 20 anos. Esses trabalhadores eram trocados a cada três meses. A maioria trabalhava no corte e transporte dos blocos. Além do pessoal que pegava pesado, havia arquitetos, médicos, padeiros e cervejeiros. Tudo indica que esses caras eram livres (e não escravos), pagos com cerveja e alimentos. Mas há controvérsias. Alguns apostam em 100 mil trabalhadores, além de teses que atribuem a obra a ETs!

Quer saber mais? Então assista ao vídeo a seguir!!!